NOVO CORONAVÍRUS


As bibliotecas públicas do
Sistema Municipal, incluindo o Ônibus da Cultura, permanecerão fechados por
tempo indeterminado.
A
Prefeitura de São Paulo adotou novas medidas para evitar a proliferação do
coronavírus (Covid-19) na cidade. Entres elas, estão o
cancelamento de eventos do poder público, alvarás e autorizações emitidas para
eventos privados que gerem qualquer tipo de aglomeração, além do fechamento de
todos os equipamentos culturais municipais como Casas de Cultura, Teatros,
Centros Culturais, Bibliotecas e as Salas de Cinema do Circuito SP Cine por
tempo indeterminado.
Outras
informações sobre as medidas anunciadas, acesse http://www.capital.sp.gov.br/noticia/prefeitura-de-sao-paulo-anuncia-novas-medidas-para-evitar-a-proliferacao-do-covid-19-e-garantir-atendimento-medico



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sexta-feira, 19 de março de 2010

CORDEL E ILUSTRAÇÃO: BELAS ARTES NAS OFICINAS LITERÁRIAS DO ÔNIBUS BIBLIOTECA.

Texto: João B. A. Neto

Bem disposto o Ônibus-Biblioteca parte lá da Mooca, quarta, 17 de março, levando a bordo um Doutor. Isso mesmo, um doutor rumo ao roteiro de Tremembé, Zona Norte da Cidade...

 
Quem é esse tal de Doutor?....

É Aderaldo Luciano. 

"Ele é Doutor e Mestre em Ciência da Literatura, área de concentração Poética, com tese e dissertação sobre Literatura de Cordel. Licenciado em Letras pela UFPB, é professor universitário, poeta, músico e responde pelo editorial da Editora Luzeiro, de São Paulo, especializada em cordel. Ministra palestras e oficinas sobre Literatura de Cordel em todo o Brasil. Em 2009 desenvolveu o projeto Poezia Tradiccional do Nordheste apresentado nos centros culturais do município do Rio de Janeiro. Em 2010 está como oficineiro no Ônibus-Biblioteca da Secretaria de Cultura do Município de São Paulo divulgando o cordel."

Aderaldo Luciano, além de estudos acadêmicos, realiza um bonito trabalho de divulgação. Ele também está presente nas Oficinas Literárias do Ônibus-Biblioteca. Em seus encontros, como esse em Tremembé, Aderaldo conversa sobre Literatura de Cordel, expõe obras fantásticas, fala sobre produção editorial. Enfim, o academicismo também vai à periferia falar sobre Literatura e, principalmente, Leitura, através de uma liguagem mais simples, de fácil entendimento...

Observem, abaixo, um comentário interessante, deixado no blog de Aderaldo pelo grande Cordelista João Gomes de Sá, também oficineiro do Ônibus-Biblioteca:

"Procure o Doutor:


Agora temos um doutor para nos “receitar” preventivamente e medicar umas “meisinhas” para curar alguns deslizes no universo cordeliano. E aí vai: como uma manifestação literária genuinamente brasileira, desprezada pela cultura acadêmica, denominada gênero nemor ou subliteratura ou ainda manifestação marginal em verso é tão popular? Agora, requer, em verdade, um amplo debate, simpósio, fórum para aparelharmos com fundamentação as nossas ideias e teses.

Um abração para o Cangaceiro Doutor ou
Doutor Cangaceiro da Serra da Borborema!
Parabéns!
João Gomes de Sá, poeta e dono da cultura em Guarulhos-SP"


O diálogo: adolescentes trocam idéias com o professor, pesquisador, músico, poeta, Aderaldo Luciano, mais conhecido por "Aderaldo Cangaceiro"... 

Aderaldo Cangaceiro escreveu "O Auto de Zé Limeira" sobre o lendário cantador das terras agrestes. A Suprema Literatura Nordestina, é como ele chama o Cordel, está mais rica com a entrada de Aderaldo no universo cordeliano...

Bem contente por ter levado um Doutor do Cordel, novamente o Ônibus-Biblioteca vai levar outras artes aos roteiros de Itaim Paulista, zona leste, e à Vila São José, zona sul da cidade de São Paulo...

Esta jovem, de sorriso largo e franco, é Vanessa Alexandre: é ilustradora e autora de livros infantis e infanto-juvenis, além de realizar oficinas de ilustração em bairros carentes. Associada à ABIPRO (Associação Brasileira de Ilustradores Profissionais) e profissional do Livro pela CBL (Câmara Brasileira do Livro). Experiência em ilustração com as mais variadas técnicas artísticas e digitais.


Uma excelente ilustradora que também é oficineira do Ônibus-Biblioteca, através daquele convênio feito com a Liga Brasileira de Editoras - LIBRE. Dois roteiros tiveram o privilégio de recebê-la: Itaim Paulista, zona leste, segunda, dia 15, e Vila São José, zona sul, quarta, dia 17 de março. O encontro não poderia ser mais mágico. Vamos ilustrar as emoções com as belas imagens e com as próprias palavras de Vanessa:

"Oficina Itaim Paulista - 15/03


A oficina do Itaim Paulista na segunda feira foi feita baseada no livro de imagens "O dia em que encontrei meu amigo", com a contação da história para as crianças, seguido da proposta de criarem um porta-retratos de sua família (e daquilo que é mais importante na vida de cada um), além do tema do cuidado com os animais.


As crianças desenvolveram porta-retratos a partir de palitos de sorvete pintados, utilizaram recortes para complementar a pintura e o mais importante foi a possibilidade do manuseio de materiais artísticos, como papéis, tintas, colagem e giz de cera. O local de parada do ônibus biblioteca foi praticamente do lado de uma escola, então facilitou mutíssimo a interação entre as crianças e o grande fluxo de atividades.


Momentos mágicos de criação em Itaim Paulista:

Mãozinhas de traços firmes...

Olhinhos que analisam bem...

Sorriso de quem fêz bonito, com muito orgulho...

Ideia de mostrar o processo de criação...

Essas crianças, de certa forma, estão todas inseridas em belíssimos porta-retratos...



Bons ventos levam o Ônibus-Biblioteca à Vila São José, zona sul da cidade...



"Oficina São José - 17/03

A oficina do São José foi uma grata surpresa, pois tratava-se de um local que eu ainda não havia realizado oficinas. Apesar do fluxo menos intenso de crianças, a atividade foi bastante proveitosa, pois deu para conhecer e conversar com cada um dos que passaram na oficina de forma mais pessoal. O tema proposto foi também, como no Itaim Paulista, a construção de um porta-retratos com palitos e também a criação de móbiles, desta vez usando o livro de imagens como base da atividade.

Um dos pontos marcantes da oficina foram as crianças que tinham interesse em saber mais sobre o universo dos livros e da ilustração. Poder partilhar a experiência de como comecei a ilustrar, o que me motivou a isso, como surgiu o primeiro livro e outras perguntas super curiosas foi realmente muito gratificante, pois foi plantada em mais uma oficina a sementinha da literatura, e quem sabe, o despertar de novos ilustradores no futuro? Espero muito que sim!"

Momentos mágicos de criação em Vila São José:

Mergulhando na arte de desenhar...

Mãos e olhos atentos a cada passo de criação...

Aos olhos de menino, os cachorrinhos criam Vida...

Móbiles movimentam o imaginário dessas crianças muito ativas...

Porta-Retratos Borboletas: adolescente exibe sua arte tímida, em cores vivas...



Há tempo para um bom bate-papo sobre a arte de ilustrar...

Sorrisos brancos e orgulhosos de um trabalho bem feito. Parabéns crianças, adolescentes e a você: Vanessa Alexandre, por todas essas imagens de grande sensibilidade criativa.

Muito mais sobre:

Aderaldo Luciano em:


Vanessa Alexandre em:


Até a próxima parada!

Ônibus-Biblioteca: onde se lê por prazer.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Oficinas Literárias de Francisca do Val e de Marquiano Charan, no Tremembé: outras formas de ver.


Texto de: João B. A. Neto


Sob uma manhã clara, o Ônibus-Biblioteca sai da Mooca em direção ao Tremembé, zona norte da cidade...



Fotos de: Maria de Fátima
Acreditem: no meio do caminho a claridade abre espaço para um emaranhado de nuvens escuras, postes e fios...

No mesmo caminho: carros enfileirados desenham uma imagem, diríamos, caótica...

Quase chegando, prédio solitário tenta alcançar as núvens: uma imagem insólita...

Chegando ao Tremembé, quarta-feira, dia 10, praça Recanto Verde, a imagem, o ver, o enxergar, o sentir, serão assuntos do dia por aqui...

Quem vai tratar desses assuntos? Os dois da foto acima: Marquiano Charan Filho e Francisca do Val. Dois escritores, e seus materiais fan-tás-ti-cos...

Marquiano trouxe na mala novas maneiras de enxergar. E logo se vê rodeado por crianças, cada uma mais curiosa que a outra,  pra ver qual é a novidade...

Francisca do Val, a Tia Chica, trouxe algo mais visivel, que é pra se ver mesmo aquilo que não podemos ver, entenderam? Isto é: um microscópio...

Na foto acima, o menino, cercado por mais três crianças, ao lado de Marquiano, usa lupa para ver melhor as letras e imagens de um livro...

Já Tia Chica, agora, mostra seu livro às meninas que usam seus próprios olhos para conhecerem tal obra...

Marquiano trouxe vendas (tira de pano para tapar olhos), e o menino a colocou pra depois tentar descobrir o que Marquiano havia colocado em suas mãozinhas: uma nova experiência para enxergar através do tato...

Uma mulhuer e seus dois filhinhos experimentam ver mosquinhas, mosquitos da dengue, da malária, entre outros insetos, através de lentes do microscópio: uma oportunidade rara...

Outra cena raríssima: familia experimenta ver de outra maneira, fazendo uso de venda, colocada em um dos filhos. Nesse caso, o tato é o grande aliado da visão...


Enquanto isso, ao lado, Tia Chica faz uso de microscópio para que a menina possa enxergar detalhes curiosos do mundo dos insetos. Outra menina segura um potinho cheio de mosquinhas, quase invisíveis...

E rodeado por duas meninas e por dois meninos, Marquiano tira sons de um instrumento: um exercício para educar os ouvidos,  como outra forma de ver, também...

                                   
Tia Chica, a Francisca do Val, trouxe lupas para que todos pudessem enxergar melhor, o que se pode enxergar a olho nú...


Para quem enxerga, Marquiano trouxe o desafio de tapar os olhos, com a tal venda, e tentar ver as coisas de outro ângulo, quer dizer, no escuro, como se fosse um deficiente visual. É mesmo um grande desafio, além de ser um exercício de inclusão desse tema entre crianças, pais, e comunidade...


O microscópio, trazido por Tia Chica, despertou o interesse em muitos olhos, que puderam ver com mais nitidez...

A venda do faz-de-conta-que-você-não-enxerga, trazida por Marquiano, fez com que crianças, jovens e adultos, experimentassem um novo olhar sobre a visão, e as maneiras diferentes de ver através do tato, da audição. Enfim, de outros sentidos quando não se pode enxergar com os olhos...

O microscópio e as lupas, de Tia Chica, demosntraram-se como grandes aliados de nossa visão, principalmente quando queremos ver melhor ou ver coisas milhares de vezes menores que um fio de cabelo, por exemplo, que estão muito além de nossa capacidade de enxergar. 

Essas duas oficinas, ministradas por Marquiano Charan Filho e por Francisca do Val, foram excepcionais. Num breve espaço de tempo, elas certamente aumentaram o campo de visão daqueles que visitaram o Ônibus-Biblioteca naquela manhã clara, apesar de nuvens escuras tentarem encobrir a região, o que não conseguiram, felizmente...



 
Rodrigo bom de bola e Rodrigo enxerga tudo, dois livros escritos por Marquiano, merecem ser lidos, vistos, tocados, folheados, ouvidos, comidos com os olhos, e degustados com a alma, de tão interessantes que são os assuntos neles tratados...



O simpático Drosófila, a mosquinha famosa, de Francisca do Val, a nossa Tia Chica, traz a história daquela mosquinha caseira que vive sobrevoando as frutas de nossas casas, com muitas curiosidades. Um livro que deve ser colocado à mesa, para que todos conheçam um pouco mais o assunto pesquisado pela escritora , com muita propriedade, uma vez que Tia Chica é também bióloga...

 E nas mesas, para um bom atendimento ao público, estavam os funcionários:

Maria Édina...

Cícero...


Maria de Fátima...



E o grande motorista Marcelo...

Até a próxima parada!!!
                                        
Ônibus-Biblioteca: onde se lê por prazer.